Pedro Ivo Verçosa 

Formado em Artes Visuais pela Universidade de Brasília, Pedro Ivo Verçosa (1986-2020) foi um dos mais importantes artistas da sua geração - seja na pintura, no desenho, experimentações com fotografia, colagem, intervenções urbanas ou gravura. Pedro era retratista, e sua principal pesquisa foi a sobre a percepção do tempo e seu registro, expressa principalmente em seus trabalhos de pintura e fotografia. A trajetória de Pedro Ivo Verçosa foi marcada pela sua atuação agregadora, como fundador de espaços independentes de criação artística em Brasília (como o Espaço LAJE) e São Paulo (como a Casa10barra12 e o Espaço BREU). Pedro Ivo também atuou como editor de publicações independentes e participou na gestão de projetos de exposições coletivas, atividades formativas no campo das artes e ateliês compartilhados.

Para o curador da mostra, “Pedro deixou como legado de uma vida febril, de uma dedicação muito intensa, uma produção inspirada e comprometida. Isso certamente serve de exemplo muito claro para as novas gerações, e fala sobre a capacidade de construção de um corpo de trabalho”. 

Formada por mais de 400 obras, a exposição traz um apanhado do trabalho do artista desde o início de sua carreira. São conjuntos de obras encadeadas em ordem cronológica, que permitem ver uma aceleração de seu processo, de uma identidade própria da pintura, de uma expressividade, de métodos e formas muito pessoais”, afirma Ralph Gehre. As obras, continua o curador, “têm como eixo em comum a figuração, que atravessa toda a exposição”. 

A figura, lembra o curador, é a questão central da produção do artista. De forma muito didática, a exposição inclui três pinturas inacabadas que explicitam o processo de produção da pintura do artista. Pedro trabalhou muito o mundo ao seu redor e os espaços que ocupou. As centenas de retratos que ele fez se referem diretamente a amigos e artistas que o acompanharam, gravitando nos espaços que ele gerou ao longo da vida. “O que se apresenta é uma produção profícua que envolve muitas pessoas, em Brasília, Londres e São Paulo, cidades onde Pedro viveu”, diz Ralph Gehre. “Pedro tinha essa característica de acolher e ouvir as pessoas e isso se espelha nesta mostra”, completa o curador. 

Distribuída em 12 estações, a exposição foi pensada como retrospectiva. Além dos painéis expositivos do Museu, foram levantadas novas paredes, constituindo um núcleo central da mostra. A partir dele, a exposição se desenvolve apresentando a trajetória do artista. Além das obras, a mostra contém vídeos com depoimentos e trabalhos realizados em parceira com seus amigos e colegas de profissão, formando um amplo painel da produção do artista, mas também espelhando a cena local, incluindo trabalhos realizados em colaboração com mais de 30 outros artistas.